terça-feira, 2 de junho de 2015

Produção industrial recua pelo terceiro mês seguido, diz IBGE

A indústria brasileira apresentou queda de 1,2% em abril ante março.
Em relação a abril do ano passado, a queda é de 7,6%.

A produção industrial nacional recuou 1,2% em abril ante março, segundo o IBGE. Trata-se do terceiro resultado negativo consecutivo na comparação com o mês anterior - a perda acumulada nesse período é de 3,2%. Em relação a abril do ano passado, a queda é de 7,6%. No acumulado do ano, até abril, o recuo é de 6,3%, e no acumulado de 12 meses, é de 4,8% - trata-se do resultado negativo mais intenso desde dezembro de 2009, quando a queda foi de 7,1%. De acordo com o IBGE, o índice mostra que foi mantida a trajetória descendente iniciada em março de 2014.





segunda-feira, 1 de junho de 2015

Cunha chama de 'choro' tentativa de partidos de suspender reforma política

No Twitter, presidente da Câmara questionou ação movida por seis legendas.
Ele disse que, após reforma política, Câmara votará maioridade penal.

O presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), usou neste domingo (31) sua conta pessoal no microblog Twitter para questionar a tentativa de deputados de seis partidos, encabeçados pela bancada do PT, de tentar suspender no Supremo Tribunal Federal (STF) a tramitação da reforma política. Na rede social, o peemedebista classificou de "choro" o mandado de segurança protolocado neste sábado (30) por 61 parlamentares de PT, PPS, PC do B, PSOL, PSB e PROS. Para ele, os autores da ação judicial são um "grupo contrariado com a derrota" sofrida no plenário.
Os seis partidos reclamaram ao Supremo que, nesta semana, durante a votação das propostas da reforma política, o plenário daCâmara votou duas vezes a possibilidade de doação às legendas partidárias, o que seria inconstitucional.
Na última terça (26), os deputados rejeitaram a emenda que autorizava doações de empresas a partidos e a candidatos, proposta defendida por Cunha. No dia seguinte, apesar da derrota sofrida na véspera, o presidente da Câmara colocou em votação outra emenda que tratava sobre financiamento eleitoral, incluindo na Constituição a possibilidade de a iniciativa privada fazer doações eleitorais exclusivamente para partidos. Desta vez, os deputados decidiram aprovar a mudança constitucional, o que motivou duras críticas por parte do PT e gerou um intenso bate-boca no plenário da Casa.
"Aceitei a questão de ordem e reclamaram. Só que nem se chegou a isso, pois a primeira foi aprovada com 330 votos favoráveis. Ou seja, a polêmica é choro de quem não teve os votos para rejeitar uma proposta diferente da rejeitada", ironizou Cunha no Twitter.
Ao longo das 42 mensagens que publicou na rede social na manhã deste domingo, o peemedebista fez várias críticas diretas e indiretas ao PT. Conforme ele, a bancada petista, que defendia a implantação do sistema eleitoral com voto em lista e o financiamento de campanhas eleitorais exclusivamente público, sofreu uma "derrota vergonhosa" e "não se conforma com a derrota".
Em outra crítica ao PT, Cunha afirmou que a Câmara não ficará "refém" dos que não querem que nada que os contrarie seja votado na Casa.
Maioridade penal
Em meio às mensagens sobre a reforma política, Eduardo Cunha disse que os mesmos partidos que reclamaram da votação das propostas que alteram o sistema político e eleitoral do país vão sofrer novas derrotas na Câmara porque, segundo ele, as posições deles são "minoritárias" em plenário. O peemedebista antecipou que, em junho, colocará em votação no plenário a proposta de redução da maioridade penal, outro assunto que enfrenta resistência da bancada petista.
"Esses mesmos [que protocolaram o mandado de segurança no STF] já entraram com várias ações para qualquer decisão minha, e todas lá estão sem sucesso até agora, porque não assistem razão", escreveu na rede social.
De acordo com o presidente da Câmara, a comissão especial que está analisando o projeto de redução da maioridade penal de 18 para 16 anos deve concluir seus trabalhos até 15 de junho. "Levaremos imediatamente ao plenário", enfatizou.
"E além dessa polêmica teremos ainda muitas outras, já que não vamos deixar de levar à votação matéria porque um grupo do PT não quer", concluiu Cunha.
O parlamentar do PMDB defendeu ainda a realização de um referendo, na eleição municipal do ano que vem, para consultar a população sobre a redução da maioridade penal. Ele disse que "o PT não quer a redução da maioridade e acha que todos têm de concordar com eles."
"Defendo inclusive, e vou sugerir ao relator, que se faça um referendo sobre a redução da maioridade para que a gente faça um grande debate."

Blitz flagra 79 pessoas dirigindo bêbadas em uma só noite em Goiás

PRF diz que foi maior apreensão de CNHs em operação, com 18 presos.
Irônico, um dos condutores falou sobre multa: 'Eu pago, ganho R$ 20 mil'.



Uma blitz da Polícia Rodoviária Federal (PRF) flagrou 79 pessoas dirigindo embriagadas na madrugada de domingo (31), em Rio Verde, no sudoeste de Goiás. A equipe montou a barreira próximo a um show que ocorria na cidade. Segundo a corporação, foi a maior apreensão de Carteiras Nacionais de Habilitação (CNHs) em todo o estado em apenas uma noite.

Do total de motoristas bêbados, 18 acabaram atingindo um nível muito alto de alcoolemia e foram presos. Foi o caso de um motorista que não apresentou a CNH e o documento do carro. Após o resultado do bafômetro confirmar que ele havia bebido, ele falou com ironia sobre a infração.
"Eu pago a multa, eu tenho carro, eu trabalho e ganho mais de 20 mil por mês. Posso pagar qualquer multa", disse. No entanto, como o índice dele foi de 0,84 miligramas de álcool por litro de ar expelido, ele foi detido - o máximo para não ser preso é 0,3 miligramas.
Outro condutor embriagado foi flagrado logo após sair da festa e mal conseguia ficar em pé para responder às perguntas do policial. Apresentando também dificuldades até para ficar acordado, ele foi levado para a delegacia de Rio Verde.
O agente da PRF Fábio Losi, explicou a importância de não dirigir após de beber e listou os problemas que o condutor pode enfrentar após ingerir álcool.
"Quando ele faz a ingestão de álcool, seja qual for a quantidade, a medida que ele aumenta esse consumo, gradativamente o seu reflexo vai diminuindo e também o tempo de resposta dele num acionamento de um freio, a sua capacidade de locomoção, tudo isso é reduzida", afirma.

Segundo a PRF, dos 18 presos, 17 foram liberados após pagarem fiança de um salário mínimo cada. Um deles permanecia preso até a noite de domingo.

Cantareira começa mês de junho com chuva e nível dos reservatórios sobe

Manancial usa volume morto e chuva esperada no mês é de 58,5 mm.
Entre demais sistemas, apenas o Rio Claro também subiu.

O Sistema Cantareira começou o mês de junho com chuva e elevou seu nível de 19,6% para 19,8% entre o domingo e esta segunda-feira (1º). O dado é divulgado diariamente pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).
O manancial, que abastece 5,4 milhões de consumidores na capital, registrou 9,7 milímetros de chuva nas últimas 24 horas. E a previsão é que o conjunto de represas receba 58,5 mm até o final do mês.
Apesar da alta, os reservatórios tiveram déficit de água no mês de maio, passado de 19,9% para 19,6%, e a situação ainda é crítica. A estação chuvosa terminou com apenas a segunda cota do volume morto recuperada.
Entre os demais sistemas, apenas o Rio Claro também subiu. Alto Tietê e Alto Cotia ficaram estáveis e o Guarapiranga caiu.
Índices
O índice de 19,8% do Cantareira divulgado pela Sabesb considera o cálculo feito com base na divisão do volume armazenado pelo volume útil de água.

Após ação do Ministério Público, aceita pela Justiça, no entanto, a Sabesp passou a divulgar outros dois índices para o Sistema Cantareira.
O segundo índice leva em consideração a conta do volume armazenado pelo volume total de água do Cantareira. Nesta segunda-feira, o índice era de 15,3.

O terceiro índice leva em consideração o volume armazenado menos o volume da reserva técnica pelo volume útil. Neste domingo, o índice era de -9,5%.

EcoPonte já administra Ponte Rio-Niterói com pedágio de R$ 3,70

Pedágio era R$ 5,20; contrato prevê ainda melhorias nos acessos.
Empresa começou a administrar a via no primeiro minuto desta segunda.

A EcoPonte iniciou no primeiro minuto desta segunda-feira (1º) a operação da Ponte Rio-Niterói. O contrato de concessão, assinado há duas semanas em Brasília, valerá pelos próximos 30 anos e prevê um conjunto de obras de melhoria na via, além da redução da tarifa de pedágio de R$ 5,20 para R$ 3,70. A previsão é que a nova concessionária faça investimentos de R$ 1,3 bilhão em intervenções de infraestrutura.
A EcoPonte faz parte do grupo EcoRodovias, que em 18 de março venceu o leilão de concessão para administrar a ponte.
Pelo novo contrato, além da redução do valor do pedágio, e a Ecoponte terá que melhorar os acessos nos próximos cinco anos, construindo, em Niterói, o mergulhão sob a Praça Renascença. Na pista sentido Rio, a empresa construirá a alça de ligação com a Linha Vermelha, e no acesso à pista sentido Niterói, será implementada a Avenida Portuária.
A concessionária tem um perfil no Twitter, @_ecoponte, e por esse canal os usuários poderão ter informações sobre tráfego e obras na via, intervenções e outros serviços.
A Ecoponte disponibilizará cerca de 200 profissionais para a operação da Ponte Rio-Niterói, entre arrecadadores, agentes de atendimento pré-hospitalar e socorro mecânico. Os usuários terão ainda à disposição dez guinchos leves, um pesado, dois superpesados, cinco ambulâncias, uma motolância, e dois veículos de combate a incêndios.
Em caso de pane ou emergência, os usuários podem entrar em contato com a concessionária pelo telefone 0800 77 PONTE ou 0800 77 76683. Para deficientes auditivos, o número é 0800 77 76684. A concessionária atende ainda pela Ouvidoria, no e-mail ouvidoria@ecoponte.com.br, e disponibiliza informações, com imagens sobre as condições de tráfego, no sitewww.ecoponte.com.br.
O início das operações da EcoPonte foi acompanhado pelo ministro dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues; o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Jorge Bastos; e o secretário estadual de Transportes do Rio, Carlos Roberto Osorio, junto do presidente do Grupo EcoRodovias, Marcelino de Seras.
O novo contrato de concessão da Ponte foi assinado entre o Grupo EcoRodovias e a ANTT, em cerimônia realizada há duas semanas no Palácio do Planalto e que contou com as presenças da presidente Dilma Rousseff e do ministro dos Transportes, Antonio Carlos Rodrigues.

EcoRodovias
O Grupo EcoRodovias é considerado um dos maiores de infraestrutura e logística integrada do Brasil. O grupo possui sete concessões rodoviárias em corredores estratégicos para exportação e importação e em eixos turísticos.

Em logística, o grupo detém o Ecoporto Santos, localizado no maior porto da América Latina, e a Elog, um dos maiores operadores logísticos do Brasil, com 16 unidades. Cerca de 44% de toda a carga de importação e exportação do país passam pelos ativos da EcoRodovias.

Segundo PF e MP, fraudes do DPVAT podem chegar a R$ 1 bilhão ao ano

Funcionário de fazenda conta como fraudadores se aproximam. Policiais também faziam parte do esquema. Investigador fez, em um ano, 6 mil BOs.



O Fantástico denuncia o golpe do DPVAT, o seguro obrigatório que o motorista que tem carro, moto, qualquer tipo de veículo, tem que pagar todo ano. O DPVAT é usado para indenizar as vítimas do trânsito. Mas tem gente que caiu do cavalo e recebeu:
Em uma noite de São Paulo, ao bater em um carro, o motoqueiro quebrou a perna e ficou em coma. Ele e todos que se machucam com alguma gravidade no trânsito brasileiro têm direito a receber uma indenização. É dinheiro do DPVAT, o seguro obrigatório.
Claro, se você cair do cavalo, se machucar jogando bola ou em uma briga, não tem direito a receber um centavo desse benefício. Só que mesmo nesses casos, o pagamento saiu. Como?
“Nós observamos vários casos absurdos. Nós não temos dúvida alguma de que as fraudes podem chegar a até R$ 1 bilhão ao ano em todo o país”, afirma o delegado da Polícia Federal Marcelo Freitas.
Em 2014, os donos de carros, motos, ônibus e caminhões pagaram quase R$ 8,5 bilhões de seguro obrigatório, o DPVAT. Por lei, 45% têm que ir para o Sistema Único de Saúde (SUS) e 5% para o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). A outra metade é para pagar as vítimas de acidentes.
Quando a polícia diz que as fraudes representam R$ 1 bilhão por ano, significa que 25% do valor destinado às indenizações em 2014 estariam sendo usado indevidamente. “Uma completa ausência de controle, uma absoluta ausência de fiscalização”, diz Freitas.
Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais. Nesses estados, em uma investigação recente da Polícia Federal e do Ministério Público, foi possível descobrir o caminho da fraude, que começa com uma mentira e termina com o dinheiro no bolso dos golpistas.
Gildemar trabalha em uma fazenda em Janaúba, Minas Gerais. No ano passado, ele caiu do cavalo e quebrou o pé. Diz que uma mulher o procurou e falou para ele mentir que tinha sofrido um acidente de moto.
“Falou pra mim, pra fazer uma ocorrência como tivesse caído de moto. Naquele desespero, já machucado, ela falou: ‘não, nós temos que fazer isso, vai sair um dinheiro pra nós. Vamos fazer isso, vamos fazer’. Eu peguei e fiz”, conta o trabalhador rural Gildemar Bispo de Jesus.
Ele recebeu cerca de R$ 1,7 mil do seguro obrigatório. Desse total, a golpista embolsou R$ 200. “Admito que eu menti também, mas porque eu fiz induzido”, aponta Gildemar.
O homem que caiu do cavalo foi procurado por uma 'atravessadora', uma golpista que se passa por despachante e promete resolver tudo em troca de uma porcentagem do seguro. Os fraudadores costumam ficar em escritórios perto dos hospitais ou mesmo dentro dos setores de emergência médica, à espera de novos clientes.
“Pedimos que a Polícia Federal tomasse essas providências no sentido de inibir ou de encontrar uma saída pra que esse tipo de profissional não tenha acesso”, conta o superintendente da Santa Casa de Montes Claros, Maurício Souza e Silva.
Segundo a Polícia Federal, outro golpe começou em um campinho de futebol. Leomar Miranda Santos é presidente da Câmara de Vereadores de Rubelita (MG), município de sete mil habitantes.
Fantástico: O senhor joga bola?
Leomar: Jogo bola.
Fantástico: Chuta com que perna?
Leomar: Com a direita.
Com autorização da Justiça, os telefonemas dos golpistas foram gravados. Em uma conversa, dois homens falam sobre Leomar.
Suspeito 1: Eu vi Leomar. Na verdade, ele caiu, se machucou jogando bola, né? Comenta nada com ninguém, não. Beleza? Falei: “Não, beleza.”
Fantástico: O senhor caiu de moto ou caiu jogando bola?
Leomar: Me acidentei de moto.
Fantástico: Quando foi isso?
Leomar: Foi dia...
Fantástico: Mês, por exemplo.
Leomar: Mês de maio. Dia 13 de maio. Se eu não me engano, dia 13 de maio.
No Boletim de Ocorrência, o acidente foi em 13 de maio de 2014. A investigação concluiu que as informações do BO são falsas.
Leomar: Eu quebrei o tornozelo direito.
Fantástico: Quanto o senhor recebeu de DPVAT?
Leomar: R$ 7.087, se não me engano.
Fantástico: O senhor agiu de má fé?
Leomar: De forma alguma. Provarei isso, se necessário.
Comprovada a irregularidade, o dinheiro das fraudes tem que ser devolvido.
De acordo com as investigações, policiais civis também faziam parte do esquema. Em uma delegacia de Montes Claros (MG), um único investigador chegou a fazer, em um ano, seis mil boletins de ocorrência. Todos de acidente de trânsito.
Fernando Lopes das Neves, o 'Caveirinha', é policial há 18 anos. Segundo o Ministério Público, o investigador de Montes Claros fazia ele próprio os boletins com informações falsas e também permitia que outros usassem a senha dele para acessar o sistema da polícia.
“Identificamos que a senha desse policial foi utilizada de dentro das diversas empresas que intermediavam o pagamento desse seguro”, conta o promotor de Justiça Guilherme Fernandez Silva.
O investigador foi preso em abril de 2015, acusado de receber R$ 100 de propina a cada boletim forjado. E em maio de 2015, respondia em liberdade. O Fantástico tentou falar com ele, mas nem o policial, nem o advogado responderam.
O último passo do golpe é conseguir um laudo com informações falsas, assinado por um médico. O valor da indenização paga pelo DPVAT varia conforme a lesão, que tem que ser grave e provocar invalidez permanente total ou parcial.
“É a lesão que se perpetua no tempo, ou seja, perda da utilização total daquele membro”, explica o professor de medicina legal da USP Henrique Soares.
Invalidez permanente: a indenização é de até R$ 13,5 mil. Se o acidente não foi tão grave, mas houve despesas com médico e hospital, a pessoa tem direito a até R$ 2,7 mil. Em caso de morte, o valor é R$ 13,5 mil.
Uma mulher, que não quis se identificar, foi procurada por um golpista, que conseguiu liberar o dinheiro do seguro falsificando os atestados, sem fazer nenhuma perícia. “Ele só pegou o documento, entregou para o médico e pediu pra mim ir embora: ‘pode ficar tranquila que vai dar tudo certo’. Eu não vi o médico”, conta ela.
A Seguradora Líder é a responsável pelo pagamento das indenizações. Esta semana, o Ministério Público deve entrar com uma ação civil pública contra a empresa. “A investigação aponta que há sim uma participação de dentro da seguradora Líder pra facilitar os pagamentos de fraude”, afirma Guilherme Fernandez Silva.
A seguradora nega e diz que as fraudes não chegam a R$ 1 bilhão por ano, como afirma a Polícia Federal. “Nós temos um controle de qualidade, nós fazemos auditoria. Poderá haver problema? Poderá haver problema. Afinal de contas é um país grande. Mas nós temos um cuidado muito grande, fiscalizamos com a maior intensidade possível. Fraudes efetivamente não chegam a 1% do que efetivamente acontece”, afirma o presidente da Seguradora Líder, Ricardo Xavier.
Ou seja, para a seguradora, as fraudes não somam R$ 40 milhões por ano. E a empresa recomenda que as pessoas deem entrada no pedido de indenização por conta própria. “Se a pessoa procurar uma da nossa rede autorizada, que tem 7.880 pontos de atendimento em todo Brasil, em todos os municípios, terá o atendimento gratuito”, aponta o presidente da Seguradora Líder.
“As fraudes ao seguro DPVAT estão acontecendo em cidades de Norte a Sul do país de maneira absolutamente impune, razão pela qual os órgãos têm que agir de maneira firme evitando que essas fraudes possam persistir”, alerta Marcelo Freitas.

Moradores de rua passam em concurso público em Belo Horizonte

Marcelo Santiago ficou em 1º lugar e Jusair da Silva na 20ª posição.
O feito foi alcançado graças a bibliotecas e a determinação de ambos.


Marcelo Batista Santiago, de 39 anos, passou em primeiro lugar no concurso público para auxiliar de limpeza da empresa estadual Minas Gerais Administração e Serviços S.A (MGS). Quase 12 mil candidatos disputaram uma das 300 vagas oferecidas. Mais do que alcançar o topo da lista, o ex-morador de rua, que viveu perambulando por Belo Horizonte entre 2012 e 2014, conseguiu retomar o controle da própria vida.
“Foi muito sofrimento. Falta de comida, de lugar pra tomar banho, pra dormir. Tive que aprender a me virar. Foi muito duro”, disse ele.
Hoje, Marcelo vive na República Reviver, espaço da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e administrada pela Arquidiocese de Belo Horizonte, que oferece moradia temporária para homens sem-teto. São 40 vagas disponíveis, cuja permanência é por no máximo 18 meses. “Meu sonho agora é providenciar a minha casa”, contou.
Marcelo foi parar na rua depois de um desentendimento com a família. “Tive alguns problemas com parentes e acabei ficando sem lugar pra ficar”, disse. Desempregado, era difícil conseguir trabalho sem endereço fixo. “Quando eu dizia que morava na rua, que não tinha casa, já perdia a vaga”.
Em 2014, Marcelo tomou uma decisão que mudou sua vida. “Decidi pedir ajuda. Foi aí que conheci a república e fui encaminhado para o acolhimento. Tinha que me reerguer”. O ex-morador de rua buscou nos livros o caminho para uma nova chance.
“Na república tem uma minibiblioteca. Comecei a estudar muito e pensei em fazer vestibular”. Marcelo passou no curso de tecnologia em gestão pública da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). Porém, ele desistiu no 2º período. “Eu passei por um momento que estava desestruturado, mas penso em voltar”.
Em fevereiro, ele ficou sabendo do edital do processo seletivo. Apesar de já ter ingressado em uma universidade, Marcelo resolveu concorrer ao cargo de nível fundamental incompleto. “Eu estava buscando estabilidade. Uma possibilidade para me reerguer, estruturar a minha vida”, disse.
O resultado saiu em abril, surpreendendo Marcelo. “Quando eu saí da prova, senti que tinha ido bem, mas nunca imaginei ter ficado em primeiro lugar. Passou um filme inteiro na minha cabeça. Nada na minha vida veio fácil. Foi bastante sofrimento. Ter conseguido passar foi uma alegria imensa”. Marcelo tomou posse do cargo e já está trabalhando. Ele recebe R$ 876,66 por mês.
“Foi uma explosão”, disse Jusair Santos da Silva, de 50 anos, ao saber que foi o 20º colocado no mesmo concurso disputado por Marcelo Batista Santiago. Assim como o candidato mais bem colocado, Silva também viveu nas ruas de Belo Horizonte por quase três anos.
“Cheguei aqui em setembro de 2012. Foi a primeira vez que senti na pele como essa vida é dura”, contou. Naquele ano, ele estava em Cuiabá (MT) e acabou aceitando uma carona para a capital mineira.
Nascido em Paracatu, na Região Noroeste de Minas Gerais, Jusair disse que serviu na Marinha quando jovem. Morou em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, onde teria cursado três anos em uma faculdade de letras. “Larguei porque conheci minha mulher”, contou.
O casamento acabou não dando certo. “Eu não queria ficar na dependência de família. Deixei casa, tudo pra ela (esposa). Só fiquei com a minha moto”.  O filho também ficou pra trás. “Ele já tem 25 anos. É homem feito. Nunca mais falei com ele”, disse.